Este mês apresentamos uma série de tutoriais sobre Ableton Live 10 para ir abrindo o apetite para o seu iminente lançamento este 2018. Tal como já tínhamos avançado numa notícia anterior, um dos pontos fortes é a inclusão de novos dispositivos. Ramir Martinez, o nosso Certified Trainer da escola Microfusa, introduz-vos no funcionamento básico do Wavetable, um potente sintetizador de tabela de ondas com numerosas possibilidades de modulação e uma interface gráfica muito completa que nos permite visualizar todos os parâmetros de uma só vez.
Wavetable | Desenho de Leads arpegiados
Este sintetizador de tabela de ondas é uma das novidades mais excitantes da nova versão do Ableton Live 10 e é adicionado à família de instrumentos já existente. Em vez de ter um número limitado de formas de onda, como no caso do Analog ou Operator, encontramos uma extensa variedade. Neste artigo vamos introduzir a estrutura básica do instrumento e realizar um desenho essencial para um Lead arpegiado.Tabelas de onda e osciladores
A diferença fundamental do Wavetable em relação aos restantes sintetizadores do Live é que este incorpora nos seus osciladores uma tabela de ondas, ou seja, um conjunto de ondas para uma mesma forma de onda selecionada. Se carregarmos uma instância numa pista, observamos por defeito a tabela Basic Shapes, que mostra um visor gráfico com quatro estados, de quadrada a senoidal. Um controlo deslizante situado à direita permite escolher qualquer um dos estados intermédios.
Onda intermédia escolhida para Basic Shapes
Um dos aspetos mais excitantes deste sintetizador é a grande quantidade de tabelas existentes, agrupadas em diversas categorias: Basics, Complex, Filter, etc. Algumas são muito interessantes do ponto de vista do design sonoro. Além disso, o Wavetable dispõe de dois osciladores e um sub-oscilador para poder criar timbres ricos em parciais.Um ajuste para um Lead. Tabelas, desafinação e modo uníssono.
Os Leads e Pads são alguns dos tipos de presets que mais podem beneficiar da sobreposição de osciladores. Podemos criar um timbre básico de Lead usando duas tabelas de ondas em ambos os osciladores e aplicando um certo grau de desafinação através do controlo Detune.

Filtros
Uma vez construído o timbre base, podemos encaminhar o sinal dos osciladores para a secção de filtragem. Nesta secção podemos processar a soma do sinal dos osciladores (modos Série e Paralelo) ou também processar cada oscilador com um filtro independente (Split). Cada filtro pode ser ativado independentemente e dispõe de opções de emulação de circuitos analógicos (tal como nos restantes instrumentos do Live) para conferir maior carácter à filtragem através de uma certa quantidade de distorção.
Secção de filtragem com dois filtros a atuar em paralelo
Moduladores
O Wavetable permite aplicar um total de cinco moduladores internos, três envelopes e dois LFOs. O envelope principal – do amplificador – é o que tem maior efeito no som final. Os envelopes dispõem de segmentos ADSR clássicos, embora cada segmento permita alterar a sua curvatura, o que permite um maior controlo sobre o parâmetro que está a ser modulado. Além disso, os envelopes dispõem de diversos modos. Por defeito, o modo None reproduz o comportamento típico associado a uma curva ADSR, onde a ação da nota premida desencadeia os segmentos ADS, enquanto que a libertação da nota desencadeia o segmento R. O modo Trigger, no entanto, é mais adequado para disparar todo o envelope com a simples ação de premir a nota, uma caraterística habitual na programação de timbres percussivos. Se quisermos obter um som incisivo, percussivo, adequado para um Lead arpegiado, podemos usar o modo Trigger, modificar os segmentos e obter uma curva AD, tal como se mostra na figura seguinte.
Envelope AD sobre o amplificador
Controlo externo
Uma vez realizados os ajustes básicos, podemos modelar o som final do timbre através de poucos parâmetros. O tempo de Decay no envelope e a frequência de corte dos filtros são os mais evidentes, já que proporcionam uma grande mudança no timbre e na evolução dinâmica do Lead. Um terceiro parâmetro que produz grandes mudanças no filtro é a posição da tabela de ondas. Mapear estes controlos nas macros de um Instrument Rack que contenha o Wavetable pode permitir controlar as modulações manuais com algum controlador externo como o Push.
Macros de um Instrument Rack mapeadas para diversos parâmetros do Wavetable
A seguir, um vídeo do processo a seguir: [video:https://youtu.be/_mgZdqIuslA align:center] Lembrem-se que esta quinta-feira, 18 de janeiro teremos uma demonstração deste e de outros processos de produção ministrada pelo nosso Ableton Certified Trainer, Ramir Martínez. Entrada livre com registo, vagas limitadas. Ramir Martinez leciona na microFusa desde 1993 nas áreas de Som, Produção de Música Eletrónica e Live Performance, criando os conteúdos destas duas últimas áreas. Como produtor musical e engenheiro de som, esteve por trás de algumas das produções e remisturas das bandas mais relevantes da Cidade Condal na década passada, como Facto Delafé y Las Flores Azules, Love Of Lesbian ou Mishima, e foi responsável e chefe da editora Tsunami Music durante uma década. A sua carreira artística adotou diversos nomes e remonta a 1995, liderando diversas bandas de pop e rock eletrónico entre as quais se destacam Groove Crew e Mandalas, e mais recentemente Kulyela, um projeto nitidamente eletrónico ligado aos breaks, com os quais publicou mais de vinte trabalhos em diversas editoras (Liquid Records, B-Core, Blood Sugar Records, Tsunami Music…). Atualmente encontra-se imerso no projeto Monocrom!, duo de jazz e eletrónica experimental.Se necessita de mais informações sobre esta ou outras publicações da Microfusa, não hesite em contactar a nossa equipa, teremos todo o gosto em ajudar. MICROFUSA / LOJA BARCELONA Sepúlveda, 134. Barcelona / Tel.: 934 553 695 MICROFUSA / LOJA MADRID Ardemans, 9. Madrid / Tel.: 917 242 800 MICROFUSA / LOJA ONLINE
